quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Miguel Albuquerque anunciou que a plantação de 45 mil árvores começa em Outubro
Dois milhões de euros para reflorestar o Parque


Com o incêndio que devastou o coberto vegetal do Parque Ecológico do Funchal na passada sexta-feira, a cidade ficou mais vulnerável às aluviões. O alerta foi deixado por Miguel Albuquerque que ontem anunciou que estão disponíveis dois milhões de euros para a reflorestação que se iniciará já em Outubro com 45 mil árvores

O presidente da Câmara Municipal do Funchal, Miguel Albuquerque, anunciou, ontem, em conferência de imprensa, que estão disponíveis dois milhões de euros para avançar com a reflorestação intensiva do Parque Ecológico do Funchal. A plantação das árvores começará já em Outubro com a plantação das 45 mil árvores e arbustos indígenas que estavam no viveiro do Parque e que escaparam às chamas.
O autarca apresentou, ao fim da manhã de ontem, as linhas gerais de recuperação do Parque Ecológico do Funchal que, na passada sexta-feira, foi alvo de um incêndio de grandes proporções, tendo ardido 92 por cento, ou seja, 950 hectares do Parque, restando apenas 62 hectares de “pulmão verde” da cidade do Funchal.
Segundo Miguel Albuquerque, «é importante sublinhar à opinião pública, sem subterfúgios, que o que aconteceu sexta-feira, no Funchal, corresponde a um desastre ecológico e ambiental de grande dimensão e com graves repercussões no ecossistema do nosso concelho».
Neste sentido, adiantou que, «neste momento, é preciso não esconder que o Funchal está muito mais vulnerável às aluviões, pois o coberto vegetal que prevenia o escorregamento de inertes foi seriamente danificado com os incêndios». Por isso, a autarquia vai iniciar em Outubro a reflorestação do Parque Ecológico, plantando 45 mil árvores existentes no viveiro e ainda vai implementar uma sementeira massiva de árvores e arbustos endémicos para a sustentação, na medida do possível dos solos a montante.
A primeira intervenção e a mais prioritária irá acontecer no declive na bacia hidrográfica da Ribeira do Pisão (afluente da Ribeira de Santa Luzia) e bacia hidrográfica da Ribeira das Cales (origem da Ribeira de João Gomes).
Miguel Albuquerque ainda adiantou que, na manhã em que deflagraram os incêndios, na passada sexta-feira, a autarquia do Funchal recebeu a aprovação de duas candidaturas do programa “Proderam - Madeira Rural”, para a reflorestação do Parque, uma no valor de 1,5 milhões de euros e a outra no valor de 170 mil euros. «Isso significa que, com os 300 mil euros do orçamento da autarquia, contamos com 2 milhões de euros para avançar de imediato com uma reflorestação intensiva», revelou Miguel Albuquerque. O autarca espera que num espaço de dois anos a reflorestação integral esteja concluída, com a aquisição de plantas endémicas no exterior.

“Amigos do Parque” debatem plano de acção
A Associação dos Amigos do Parque Ecológico do Funchal anunciou, no seu blog, que “em virtude dos dramáticos eventos que reduziram a cinzas grande parte da cobertura florestal da cordilheira central da ilha da Madeira, suspendemos o programa de actividades que estava previsto até ao final do ano”. Com as actividades suspensas e depois do incêndio que reduziu a cinzas toda a área em que os “Amigos do Parque” têm vindo a plantar milhares de árvores, os próximos dias serão de debate sobre um plano de acção para as actividades imediatas de recuperação da plantação do Pico do Areeiro e do Campo de Educação Ambiental do Cabeço da Lenha.
Na conferência de imprensa de ontem, na autarquia do Funchal, Miguel Albuquerque manifestou uma palavra de louvor e solidariedade para com a Associação, “cujo trabalho voluntário, ao longo destes anos, tem-se revelado um exemplo de cidadania e cuja área de intervenção foi totalmente destruída”.

Fogo consumiu 16 anos de trabalho
O Parque Ecológico do Funchal foi fundado em 1994, em terrenos municipais, e foi alvo de um processo de reflorestação e recuperação ambiental importante. Desde essa data, e para além das acções de educação ambiental e turismo ecológico, tinham sido plantadas 400 mil árvores e arbustos indígenas que eram fundamentais para a prevenção, através do coberto vegetal, a erosão e o escorregamento de inertes, aquando das situações de intensa pluviosidade, sobretudo nas escarpas e bacias hidrográfica das Ribeiras de Santa Luzia e João Gomes. Além disso, era importante para a cptação dos recursos hídricos e a preservação da biodiversidade e das espécies da floresta indígena, contuindo o Parque uma reserva essencial para o concelho do Funchal.
A 13 de Agosto, o trabalho de 16 anos foi quase totalmente destruído pelo fogo, num espaço de quatro horas, e que devastou 950 hectares do Parque, dos 1012 hectares existentes.
Em 4 horas trabalho de 16 anos no Parque Ecológico ficou em chamas

3.100 hectares do Funchal estão ardidos
O ponto de situação até às 11 horas de ontem, era de que 3.100 hectares do concelho do Funchal, dos 7.100 existentes, foram consumidos pelos incêndios que estão a deflagrar desde a passada sexta-feira, dia 13 de Agosto.
O balanço foi feito, ontem, pelo presidente da Câmara do Funchal, Miguel Albuquerque, que adiantou mesmo que «esta foi uma tragédia com grande dimensão e que não vale a pena estar a esconder o que aconteceu, porque foi muito grave e é um facto que teremos de enfrentar nos próximos anos».
Até ontem, e em resultado dos incêndios no Funchal, havia duas habitações destruídas, mas a energia já estava reposta na sua quase totalidade. Até à data, não há vítimas, nem desalojados e Miguel Albuquerque lembrou que as situações mais dramáticas implicaram a evacuação temporária das zonas mais afectadas como Carreira, 1.º de Maio, Caminho da Hortelâ e Caminho do Tanque e ainda duas unidfades hoteleiras, o Choupana Hills e a Estalagem da Eira do Serrado. Os bombeiros conseguiram controlar os incêndios junto às habitações das Laginhas, Curral dos Romeiros e Alegria.
Quanto ao Parque Ecológico do Funchal, Miguel Albuquerque salientou que o fogo quase destruiu todo um trabalho de 16 anos, num espaço de quatro horas, devido aos fortes ventos. «Foi graças aos esforços dos bombeiros e do pessoal do Parque, em situação de grande risco para as suas vidas, que conseguiram preservar as cinco casas do Parque: Burro, Arieiro, Barreiro, Centro de Recepção e o Portão Sul e ainda o viveiro das 45 mil árvores».

Marília Dantas
In
Jornal da Madeira

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